Um menino entra na lojinha de animais e pergunta o preço dos filhotes à venda.
- Entre 30 e 50 dólares, respondeu o dono.
O menino puxou uns trocados do bolso e disse:
- Mas, eu só tenho 3 dólares...
- Poderia ver os filhotes?
O dono da loja sorriu e chamou Lady, a mãe dos cachorrinhos, que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo.
Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, com dificuldade, mancando de forma visível.
O menino apontou aquele cachorrinho e perguntou:
- O que é que há com ele?
O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril - mancaria e andaria devagar para sempre.
O menino se animou e disse com enorme alegria no olhar:
- Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!
O dono da loja respondeu:
- Não, você não vai querer comprar esse.
Se quiser realmente ficar com ele, eu lhe dou de presente.
O menino emudeceu e, com os olhos marejados de lágrimas, olhou firme para o dono da loja e falou:
- Eu não quero que você o dê para mim.
Aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo.
Na verdade, eu lhe dou 3 dólares agora e 50 centavos por mês, até completar o preço total.
Surpreso, o dono da loja contestou:
- Você não pode querer realmente comprar este cachorrinho.
Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos.
O menino ficou muito sério, acocorou-se e levantou lentamente a perna esquerda da calça,
deixando à mostra a prótese que usava para andar...
Olhou bem para o dono da loja e respondeu:
- Veja... não tenho uma perna...
Eu não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso.
Às vezes desprezamos as pessoas com que convivemos todos os dias, por causa dos seus "defeitos", quando na verdade somos tão iguais ou pior do que elas.
Desconsideramos que essas mesmas pessoas precisam apenas de alguém que as compreendam e as amem, não pelo que elas poderiam fazer, mas pelo que realmente são.
Amar a todos é difícil, mas não impossível.
"Nunca saberei o suficiente de algo, para que em algum momento de minha vida deixe de ser um aprendiz"
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Cachorrinho
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Falhas
"Uma das coisas que fascina na cidade de San Francisco é ela estar localizada
sobre a falha de San Andreas, que é um desnível no terreno da região que
provoca pequenos abalos sísmicos de vez em quando, e grandes terremotos de
tempos em tempos. Você está deslumbrado, caminhando pela cidade, apreciando
a arquitetura vitoriana, a baía, a famosa Golden Gate e, de uma hora para
outra, pode perder o chão. Ver tudo sair do lugar, ficar tontinho, tontinho. É
pouco provável que vá acontecer justo quando você estiver lá, mas existe a
possibilidade. Isso amedronta, mas ao mesmo tempo excita, vai dizer que não?
Assim são também as pessoas interessantes: têm falhas. Pessoas perfeitas
são como Viena, uma cidade quase perfeita. Linda, sem fraturas geológicas,
onde tudo funciona e você quase morre de tédio. Pessoas, como cidades,
não precisam ser execessivamente bonitas. É fundamental que tenham sinais
de expressão no rosto, um nariz com personalidade, um vinco na testa que as
caracterize. Pessoas, como cidades, precisam ser limpas, mas não a ponto de
não possuírem máculas. É importante suar na hora do cansaço. Também o é ter um
cheiro próprio, uma camiseta velha para dormir, um jeans quase transparente
de tanto que foi usado, um batom que escapou dos lábios depois de um beijo,
um rímel que borrou um pouquinho quando você chorou. Pessoas, como cidades,
têm que funcionar, mas não podem ser previsíveis. De vez em quando, sem
abusar muito da licença, devem ser insensatas, ligeiramente passionais.
Devem demonstrar um certo desatino, ir contra alguns prognósticos, cometer
erros de julgamento e pedir perdão depois. Aliás, pedir perdão sempre, para
poder ter crédito e errar outra vez. Pessoas, como cidades, devem dar vontade
de visitar, devem satisfazer nossa necessidade de viver momentos sublimes,
devem ser calorosas, ser generosas e abrir suas portas. Devem nos fazer
querer voltar, porém não devem nos deixar 100% seguros, nunca. Uma pequena
dose de apreensão e cuidado devem provocar. Nunca devem deixar os outros
esquecerem que pessoas, assim como cidades, têm rachaduras internas. Portanto,
podem surpreender.
Falhas.
Agradeça as suas, que é o que humaniza você. E fascina os outros."
Júlio Clebsch
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Viver como as flores
Era uma vez um jovem que caminhava ao lado do seu mestre. Ele perguntou:
- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, outras mentirosas... sofro com as que caluniam...
- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.
- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.
- Repare nestas flores - continuou o mestre - apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas...
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora... Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia... Assim, você estará vivendo como as flores!
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