domingo, 2 de novembro de 2008
A Menina do Vestido Azul
Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito
bonita.
Acontece que essa menina freqüentava as aulas da escolinha local no
mais lamentável estado: suas roupas eram tão velhas que seu professor
resolveu dar-lhe um vestido novo.
Assim raciocinou o mestre: "é uma pena que uma aluna tão encantadora venha
às aulas desarrumada desse jeito. Talvez, com algum sacrifício, eu pudesse
comprar para ela um vestido azul."
Quando a garota ganhou a roupa nova, sua mãe não achou razoável que,
com aquele traje tão bonito, a filha continuasse a ir ao colégio suja
como sempre, e começou a dar-lhe banho todos os dias, antes das aulas.
Ao fim de uma semana, disse o pai:
"Mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e
bem arrumada, more num lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você
ajeitar um pouco a casa, enquanto eu, nas horas vagas, vou dando uma pintura
nas paredes, consertando a cerca, plantando um jardim?"
E assim fez o humilde casal.
Até que sua casa ficou muito mais bonita que todas as casas da rua e
os vizinhos se envergonharam e se puseram também a reformar suas
residências.
Desse modo, todo o bairro melhorava a olhos vistos, quando por isso
passou um político que, bem impressionado, disse:
"É lamentável que gente tão esforçada não receba nenhuma ajuda do
governo".
E dali saiu para ir falar com o prefeito, que o autorizou a organizar
uma comissão para estudar que melhoramentos eram necessários ao
bairro.
Dessa primeira comissão surgiram muitas outras e hoje, por todo o
país, elas ajudaram os bairros pobres a se reconstruírem.
E pensar que tudo começou com um vestido azul.
Não era intenção daquele simples professor consertar toda a rua, nem
criar um organismo que socorresse os bairros abandonados de todo o
país.
Mas ele fez o que podia, ele deu a sua parte, ele fez o primeiro
movimento, do qual se desencadeou toda aquela transformação.
É difícil reconstruir um bairro, mas é possível dar um vestido azul.
terça-feira, 4 de março de 2008
Pessoas Sensíveis
Nenhum de nós pode escolher as coisas que nos acontecem, algumas boas,
outras más. Mas todos nós podemos escolher nossa resposta às coisas que
nos acontecem. Você não é prisioneiro das reações.
Algumas pessoas dizem que são muito "sensíveis", que se magoam
facilmente, que se decepcionam com amigos, colegas e família e com
aquilo que outros dizem ou fazem. Tais pessoas, que se dizem "muito
sensíveis" na verdade não têm muita sensibilidade.
Pessoas sensíveis (por definição) são capazes de obter uma gama maior de
informações sensoriais e emocionais vindas de outros e, portanto, geralmente são muito mais
compreensivas, calmas e raramente se desapontam com os comportamentos
alheios, exatamente porque sua sensibilidade aguçada mostra mais do que
as aparências, evitando que se desapontem. Além disso, pessoas sensíveis
jamais dizem que são sensíveis.
Então o que são aquelas pessoas que a todo momento se definem como
sensíveis, que ficam deprimidas por razões aparentemente pequenas e
cujos dias são destruídos por uma advertência do chefe, por uma crítica
dos colegas, por uma frase mal construída de um membro da família?
Elas não são sensíveis?
Não.
Tais pessoas são reativas - o contrário de sensíveis.
Pessoas reativas não pensam. Ou melhor, pensam que pensam, quando
somente reagem emocionalmente a qualquer coisa, sem refletir, sem
controlar,sem observar o todo, como crianças.
Todos nós somos reativos, vez ou outra, mas conforme amadurecemos nos
tornamos menos reativos e mais sensíveis,já que escolhemos nossas respostas.
Quando somos crianças, simplesmente reagimos (o que é natural), por isso
adultos reativos são, normalmente, acusados de um comportamento
infantil e birrento.
Uma pessoa sensível (por obter mais informações que estão à sua volta)
raramente perde o controle, mesmo quando atacada porque, sendo sensível, ela observa e
e-s-c-o-l-h- e a melhor r-e-s-p-o-s- t-a.
Raramente reage, como um animal faminto faria. Você não tem o poder de
escolher aquilo que te acontecerá hoje, amanhã ou depois.
Mas você tem o poder de escolher a melhor resposta à tudo o que vai
acontecer. Resposta não é reação.
Reação é sinônimo de programa automático. Resposta é sinônimo de escolha.
Seja mais sensível, esta semana, evitando dizer a primeira coisa que lhe
venha à mente, mesmo que seja algo que você diz pra você mesmo.
Escolha as palavras, escolha os pensamentos, escolha as respostas,
fugindo da armadilha que torna a vida das pessoas reativas sempre dependente de cada problema que acontece.
E observe aqueles que dizem que são "sensíveis".
Olhe o comportamento dessas pessoas.
Você verá que elas são completamente dependentes dos humores de outros e
dos acontecimentos externos. Elas simplesmente reagem por mais que
racionalizem e se enganem, afirmando que suas reações são causadas por
sua suposta sensibilidade. Sempre apresentarão razões para suas dores e
tristezas, mas ainda assim estarão somente reagindo.
Você tem o poder de escolher aquilo que é melhor. Você pode!
Porque, como afirma Stephen Covey:
"Entre o que acontece comigo e minha reação ao que acontece comigo, há
um espaço. Neste espaço está minha capacidade em escolher minhas
respostas e definir meu destino".
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Cuidado Ratoeira!
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira, ficou aterrorizado. Correu ao curral da fazenda advertindo a todos: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa! A galinha disse: - Desculpe-me, Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda. O rato foi até o porco e lhe disse: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
O porco disse: - Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo, que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. A vaca lhe disse: - O que, Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? - Acho que não! Então o rato voltou para seu canto, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.
Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital.
Ela voltou com febre. Para amenizar a sua febre, nada melhor que uma canja de galinha. Então, o fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Então, para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. Então, o fazendeiro sacrificou a vaca, para poder alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que: quando existir uma ratoeira, todos corremos risco.
"O problema de um é problema de todos, quando convivemos em equipe."
quinta-feira, 7 de junho de 2007
A lição da tartaruga
Eu percebia que meu comportamento aborrecia muito os meus pais, porém pouco me importava com isso. Desde que obtivesse o que queria, dava-me por satisfeito. Mas, é claro, se eu importunava e agredia as pessoas, estas passavam a tratar-me de igual maneira.
Cresci um pouco e um dia percebi que a situação era desconfortante. Preocupei-me, mas não sabia como me modificar.
O aprendizado aconteceu num domingo em que fui, com meus pais e meus irmãos, passar o dia no campo. Corremos e brincamos muito até que, para descansar um pouco, dirigi-me à margem do riacho que corria entre um pequeno bosque e os campos. Ali encontrei uma coisa que parecia uma pedra capaz de andar. Era uma tartaruga. Examinei-a com cuidado e quando me aproximei mais, o estranho animal encolheu-se e fechou-se dentro de sua casca. Foi o que bastou. Imediatamente decidi que ela devia sair para fora e, tomando um pedaço de galho, comecei a cutucar os orifícios que haviam na carapaça. Mas os meus esforços resultavam vãos e eu estava ficando, como sempre, impaciente e irritado.
Foi quando meu pai se aproximou de mim. Olhou por um instante o que eu estava fazendo e, em seguida, pondo-se de cócoras junto a mim, disse calmamente: "Meu filho, você está perdendo o seu tempo. Não vai conseguir nada, mesmo que fique um mês cutucando a tartaruga. Não é assim que se faz. Venha comigo e traga o bichinho."
Acompanhei-o. Ele se deteve perto da fogueira acesa e me disse: "Coloque a tartaruga aqui, não muito perto do fogo. Escolha um lugar morno e agradável."
Eu obedeci. Dentro de alguns minutos, sob a ação do leve calor, a tartaruga colocou a cabeça de fora e caminhou tranqüilamente em minha direção. Fiquei muito satisfeito e meu pai tornou a se dirigir a mim, observando:
"Filho, as pessoas podem ser comparadas às tartarugas. Ao lidar com elas, procure nunca empregar a força. O calor de um coração generoso pode, às vezes, levá-las a fazer exatamente o que queremos, sem que se aborreçam conosco e até, pelo contrário, com satisfação e espontaneidade."
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Atire a vaquinha pelo precipício
Um Mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita. Durante o percurso, ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas às oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos.
Chegando ao sítio, constatou a pobreza do lugar: sem calçamento, casa de madeira, os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas... Então se aproximou do senhor, aparentemente o pai daquela família, e perguntou:
- Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?
E o senhor calmamente respondeu:
- Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros alimentícios e a outra parte nós produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo e assim vamos sobrevivendo.
O sábio agradeceu pela informação, contemplou o lugar por uns momentos, depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu fiel discípulo e ordenou:
- Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali a frente e empurre-a, jogue-a lá embaixo.
O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato da vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família, mas, como percebeu o silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem.
Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer. Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos, até que, um belo dia, ele resolveu largar tudo o que havia aprendido e voltar naquele mesmo lugar e contar tudo aquela família, pedir perdão e ajudá-los. E assim o fez.
Quando se aproximava do local, avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou triste e desesperado, imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sitio para sobreviver. "Apertou" o passo e, chegando lá, foi logo recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos. O caseiro respondeu:
- Continuam morando aqui.
Espantado, entrou correndo na casa e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha):
- Como o senhor melhorou este sítio e está muito bem de vida?
E o senhor, entusiasmado, respondeu:
- Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Aí resolvemos plantar algumas sementes que os vizinhos nos emprestaram, passamos a cuidar das plantas com bastante cuidado, colhemos e vedemos na cidade. Com o dinheiro, compramos mais sementes, plantamos, compramos ferramentas para cuidar da terra, plantamos cada vez mais e vendemos tudo. Aí tivemos que comprar uma carroça maior, e mais uma carroça e também começamos a levar a produção dos sítios vizinhos... e por aí foi... acabamos comprando os sítios ao nosso redor, aumentamos as plantações e os nossos ganhos... e chegamos onde estamos. Hoje, agradecemos à Deus pela vaquinha ter caído no precipício. Daí em diante, tivemos que
Todos nós temos uma vaquinha que nos dá alguma coisa básica para sobrevivência e uma convivência com a rotina. Descubra qual é a sua e empurre a sua vaquinha morro abaixo; será sua oportunidade de fazer outras coisas e desenvolver novas habilidades.
A flor
O local estava deserto quando sentei-me para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho. Desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois tinha a impressão que o mundo estava tentando me afundar. E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante chegou perto de mim, cansado de brincar. Ele parou na minha frente, cabeça pendente, e disse cheio de alegria:
- Veja o que encontrei!
Na sua mão uma flor. E que visão lamentável! Estava murcha com muitas pétalas caídas...
Querendo ver-me livre do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e virei-me.
Mas ao invés de recuar, ele sentou-se ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:
- O cheiro é ótimo, e é bonita também... Por isso a peguei. Pegue-a, é sua!
A flor à minha frente estava morta ou morrendo. Nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá. Então estendi-me para pegá-la e respondi:
- Era o que eu precisava...
Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão.
Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, e que não podia ver o que tinha nas mãos. Senti minha voz sumir. Lágrimas despontaram ao sol, enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.
- De nada... - respondeu sorrindo.
E então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia.
Sentei-me e comecei a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho. Como ele sabia do meu sofrimento auto-indulgente? Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão.
Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim EU! E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciar cada segundo que é só meu. Então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela flor, e sorri enquanto via aquele garoto com outra flor em suas mãos prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade...
As melhores coisas da vida são vistas com o coração!
quinta-feira, 10 de maio de 2007
A flauta mágica
Era uma vez um caçador que contratou um feiticeiro para ajudá-lo a conseguir alguma coisa que pudesse facilitar seu trabalho nas caçadas. Depois de alguns dias, o feiticeiro entregou-lhe uma flauta mágica que, ao ser tocada, enfeitiçava os animais, fazendo-os dançar.
Entusiasmado com o instrumento, o caçador organizou uma caravana com destino à África, convidando dois outros amigos. Logo no primeiro dia de caçada, o grupo se deparou com um feroz tigre. De imediato, o caçador pôs-se a tocar a flauta e, milagrosamente, o tigre começou a dançar. Foi fuzilado à queima roupa.
Horas depois, um sobressalto. A caravana foi atacada por um leopardo que saltava de uma árvore. Ao som da flauta, contudo, o animal transformou-se: de agressivo, ficou manso e dançou. Os caçadores não hesitaram: mataram-no com vários tiros.
E foi assim até o final do dia, quando o grupo encontrou um leão faminto. A flauta soou, mas o leão não dançou, mas atacou um dos amigos do caçador flautista, devorando-o. Logo depois, devorou o segundo. O tocador de flauta, desesperadamente, fazia soar as notas musicais, mas sem resultado algum. O leão não dançava. E enquanto tocava e tocava, o caçador foi devorado. Dois macacos, em cima de uma árvore próxima, a tudo assistiam. Um deles observou com sabedoria:
- Eu sabia que eles iam se dar mal quando encontrassem um surdinho...
Não confie cegamente nos métodos que sempre deram certo, pois um dia podem não dar. Tenha sempre planos de contingência, prepare alternativas para as situações imprevistas, analise as possibilidades de erro. Esteja atento às mudanças e não espere as dificuldades para agir.
Cuidado com o leão surdo.